28 de nov de 2016

Heliópolis, o bairro educador

A Cidade Nova Heliópolis se transforma a cada dia.

Na década de 70, ocupantes das favelas da Vila Prudente e Vergueiro são transferidos pela Prefeitura da capital para alojamentos provisórios no terreno do IAPAS (Instituto de Administração Financeira da Previdência Social). É a partir daí que se iniciara a construção de uma das maiores favelas do Brasil, ‘’a favela de Heliópolis’’.



(Imagem: Mootiro Maps)

A Cidade Nova Heliópolis tem, de acordo com dados de 2016 da Prefeitura Municipal de São Paulo, uma população estimada em 200 mil habitantes, 91% deles de origem nordestina. Com um milhão de metros quadrados, Heliópolis conta com 18.080 imóveis, sendo que 72% das famílias já possuem casas de alvenaria e infra-estrutura urbana, localizada na região do Sacomã, zona sudeste da cidade.


O Bairro Educador

Promover a cultura e levar a igualdade social para a periferia não é tarefa fácil. Para o coordenador do projeto cultura na periferia e ex-secretário de cultura do Rio de Janeiro, Marcus Faustini, a cultura da periferia é essencial para o desenvolvimento do Brasil. Diariamente, jovens e crianças são expostos a vulnerabilidade social, afirma.


Com a ideia de transformar Heliópolis em um bairro educador, onde todos tivessem acesso à cultura, educação, saúde, esporte, assistência social e direito à moradia, a UNAS (União de Núcleos, Associações dos Moradores) em parceria com agentes de diversos setores têm a missão de promover, desde os anos 80, a cidadania, melhoria na qualidade de vida e o desenvolvimento integral da sociedade.

Entre os parceiros da UNAS, destaca-se a escola municipal do ensino fundamental EMEF. Presidente Campos Salles. A fim de proporcionar uma educação com qualidade social, libertária e transformadora, a relação de ambos se intensificou com o objetivo de tornar a escola em um espaço democrático. Com o apoio dos pais e lideranças, a ideia era tornar este espaço de fácil acesso à comunidade.

O bairro educador conta, também, com uma rádio comunitária, sem fins lucrativos, criada e dirigida pela UNAS desde 1992. Além do Movimento Sol da Paz que agrega jovens, crianças e adultos numa caminhada que consiste levar paz para dentro das escolas, promovendo, então, encontros com diálogos e reflexões sobre as diferentes realidades.


A transformação

Com o objetivo de aproximar a comunidade e lideranças do bairro de Heliópolis aos projetos escolares, o ex-diretor da escola Pres. Campos Salles e atual diretor da 9° Diretoria Regional de Educação Ipiranga, Braz Rodrigues Nogueira, criou um plano estratégico de mobilização e transformação. Buscou apoio de professores e da Secretaria Municipal de Educação para, assim, aplicar o modelo da Escola da Ponte - que compreende que o percurso educativo de cada estudante supõe um conhecimento cada vez mais aprofundado de si próprio e um relacionamento solidário com os outros-.

Observando a realidade em que os alunos viviam, Nogueira presumia que a não consciência da comunidade de que a escola era para todos o tornava num espaço vulnerável. E que a decisão de derrubar os muros da escola Campos Salles aproximou os moradores e trouxe as construções que ocupam o entorno da escola, como o CÉU Heliópolis, uma ETEC, um FabLab e uma EMEI. ‘’Quando nós tiramos aquele muro de alvenaria, possibilitaram as novas construções. Não ter muro, foi exatamente o projeto da Presidente Campos Salles’’ diz Nogueira.

Hoje, a Campos Salles é dividida por salões de estudo. Com um modelo de ensino diferente. Não existe prova nem lições na lousa. Todo o ensino é através de projetos, e os alunos contam com três professores por salão, além dos notebooks que os auxiliam nas aulas.