19 de set de 2016

Ermínia Maricato abre a roda de palestras no 9° módulo do Repórter do futuro: Descobrir São Paulo, Descobrir-se repórter

No último sábado, 17, a Escola do Parlamento em parceria com a Oboré (Projetos Especiais em Comunicações e Artes), receberam os 25 universitários de graduação em jornalismo, na sala Tiradentes, para o primeiro dia de curso do 9° módulo Repórter do futuro: Descobrir São Paulo, Descobrir-se repórter.

Neste primeiro encontro, os repórteres do futuro receberam a arquiteta e urbanista Ermínia Maricato para discutirem assuntos da Megacidade - termo definido para cidades com uma aglomeração urbana sediada por mais de dez milhões de habitantes-. Crescimento demográfico, pobreza, saneamento básico, poluição e mobilidade urbana, foram alguns dos temas debatidos durante o encontro.

(Imagem: Carlos Irineu - Coletiva de imprensa com Ermínia Maricato)


Durante seu discurso, Maricato destacou alguns pontos de extrema importância sobre a realidade da metrópole São Paulo. ''É na periferia, segundo dados estatísticos, que se concentram um maior conglomerado de crianças com idade de até os 14 anos. O CÉU - Centro de Educação Unificada - é uma política importante para que essas crianças não caiam na criminalidade, apesar de haver um genocídio da população negra nas periferias''.

Na questão da mobilidade urbana, ela diz que o exílio da periferia acaba quando o transporte público para. Uma referência àqueles que dependem desse serviço para se deslocarem ao trabalho, passeios noturnos etc., pois o transporte, lá na periferia, funciona até à meia-noite. ''O trasporte coletivo em São Paulo melhorou, mas há muito a ser feito'', finaliza.

Sobre uma das políticas do plano diretor, na qual tem em uma de suas propostas a isenção de impostos, como incentivo, para as empresas privadas se deslocarem para as áreas mais distantes, desafogando, assim, o centro da metrópole e dando ao cidadão mais qualidade vida, Maricato destacou que não é fácil esse deslocamento de empregos, mas que é uma boa iniciativa. Porém, é necessário um espaço de tempo maior para que tenha êxito.

Questionada sobre o seu posicionamento referente à Operação Lava-Jato, em relação ao comprometimento das construtoras com a cidade de São Paulo, a arquiteta foi sucinta em dizer que a operação é injusta, pois, da mesma forma que existe a escola sem partido, teria que existir o judiciário sem partido. - Referindo-se a uma investigação transparente. Sem favorecer nem prejudicar quem quer que seja -.