8 de jul de 2017

A luta da Igreja Internacional da Graça pelo fim da Travessa da Amizade

Cerca de 72 famílias, ocupantes de uma área, pertencente à Igreja Internacional da Graça, de aproximadamente 5 mil metros quadrados, estão com os dias contados para que desocupem suas casas. 

De acordo com o mandado de reintegração de posse, expedido em 28.05.2013, dispõe que todas as famílias desocupem a área em até 15 dias, a contar da próxima segunda-feira (10), ou os tratores vão devastar o que foi construído em pelo menos 20 anos. 


(Imagem: Carlos Irineu - Travessa da Amizade)

A Travessa da Amizade - nome dado à comunidade - não recebeu este nome por acaso. Em dias de enchentes, por exemplo, um ajuda o outro. Os que possuem casas com dois andares acolhem os demais que perderam tudo para água. No dia seguinte, é todos por um na construção do que foi perdido.


A mesma travessa, que não consta no Núcleo de Denominação de Logradouros Públicos da prefeitura de São Paulo, é registrada com um CEP de outra rua nos dados de cobrança da AES Eletropaulo, que não deixa de medir os relógios mês a mês dentro dos corredores apertados da Amizade.

(Imagem: Carlos Irineu - Izilda Reis Amaral)

Izilda Reis Amaral, 62 anos, vive com seus 9 netos e 3 filhos em um espaço com três camas de solteiro, fogão, mesa e metade de um armário - a outra metade foi levada na última cheia que invadiu a sua casa. 

Com uma renda de R$ 150,00, a empregada doméstica faz questão de pagar a conta de luz a comprar comida. ''Eu estava na escola, estudando o 3° ano do fundamental. Quando cheguei, soube que a polícia veio pedir para que saíssemos em 15 dias''. Izilda tem feito as faxinas com apenas uma mão, pois está com o braço direito engessado, após ter caído numa ponte que dá acesso ao corredor de sua casa. 

(Imagem: Carlos Irineu - Travessa da Amizade)

A Igreja Internacional da Graça, fundada por Romildo Ribeiro Soares - mais conhecido como R.R Soares, o 4° pastor mais rico do Brasil - segundo a revista Forbes-, está presente em mais de 173 países com 5 mil templos em seu total. Questionada sobre o papel social da igreja, que vai desalojar centenas de crianças e pessoas sem nenhum tipo de renda, a assessoria de imprensa preferiu não se pronunciar.

A AES Eletropaulo, que instalou seus relógios dentro de um espaço privado e que não consta nos dados da prefeitura, não respondeu aos questionamentos.

9 de jun de 2017

O diabo veste pele de cordeiro

Não é hoje que muitos ''homens da fé'' fazem uso do altar para proferir mensagens de ódio, genocídio, homofóbico etc., sempre com o intuito de atacar algo ou alguém. 

Não é de hoje que pessoas, que procuram um templo religioso em um momento frágil na vida, sofrem lavagem cerebral para entregar o pouco que lhe restam como forma de pagamento para alcançar prosperidade financeira e a felicidade.

(Imagem: BlastingNews)

Não é de hoje que o bispo da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdomiro Santiago, usa o seu horário na tevê para atacar quem quer que seja. O bispo que enxuga suor em um lenço, que cura qualquer doença, que traz prosperidade, que salva casamentos, que traz felicidade, amor, é um diabo que veste pele de cordeiro.

Em um de seus cultos, o pai da fé disse que o jornalista Marcelo Rezende estaria sofrendo o peso da mão de Deus, se referindo ao câncer no fígado e pâncreas do apresentador do Cidade Alerta.

Para quem diz aos fiéis que Deus pregou o amor, é meio controverso proferir discursos de ódio e aplaudir o momento delicado da vida de alguém que apenas denunciou as fazendas que foram compradas com o dinheiro lavado da igreja. 



5 de jun de 2017

Jardim Iguatemi é um dos piores bairros para se viver, segundo dados do IDH

De acordo com dados de 2016 do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que faz um comparativo de riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida e natalidade dos bairros de cada cidade, apontou o bairro Iguatemi, extremo da zona leste de São Paulo, como um dos piores da capital (0,751), ocupando a 92° posição.

É na comunidade que os problemas sociais estão expostos. Onde jovens e crianças estão vulneráveis às drogas e ao alcoolismo. É lá que dezenas de mulheres sofrem violência doméstica diariamente. Onde crianças são obrigadas a passar o tempo nas ruas, pois não há vagas em escolas e creches. E é neste mesmo lugar que muitas famílias não têm o que colocar na mesa para comer.


(Imagem: Associação Vicente de Paulo)

Contar com a ajuda do poder público está cada vez mais difícil, ainda mais quando se trata de comunidades. Uma pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), levantou que os pobres pagam 44,5% mais impostos do que os ricos. Mas, onde será que esse dinheiro é aplicado? 

Joana Daque, mãe, esposa, voluntária e fundadora da Associação São Vicente de Paulo, não recebe ajuda financeira do governo e mantém um projeto que abriga todas as famílias carentes deste bairro, que está entre os piores no IDH. ''Faço com amor. Às vezes, eu tiro da minha casa para ajudar o próximo. Sinto a necessidade de acolher quem precisa'', disse a mulher que sonha em conquistar o próprio espaço e criar projetos culturais para a comunidade.

Com parte do salário do esposo e algumas doações de parceiros, Daque mantém o aluguel de um espaço que recebe quem estiver precisando de ajuda. Sejam roupas, colchões, alimentos e até mesmo orientações para resolverem algum problema pessoal.

A cada 15 dias, moradores podem pegar a sua sacola e fazer uma feira com legumes e frutas que a Associação faz questão de ir buscar no CEAGESP e repassar a todos. 


(Imagem: Associação Vicente de Paulo)

Em tempos de corrupção, desemprego, crise política e econômica, encontrar pessoas que fazem o bem, sem segundas intenções, é quase que encontrar político honesto no Congresso Nacional. 

Para continuar ajudando Joana Daque a manter este projeto, entre em contato e conheça a Associação São Vicente de Paulo.

Página no facebookhttps://www.facebook.com/saovicentedepauloass/
Contato: (11) 2731.4647
Endereço: Rua Tineciro Icibaci, 2799 - Iguatemi

29 de mai de 2017

Com uma taxa de 13,2% no desemprego, cresce o número de ambulantes nos transportes públicos de São Paulo

Uma pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em fevereiro, apontou um aumento na taxa de desemprego em 13,2%, totalizando em 13,5 milhões de desempregados; maior taxa desde 2012.

Com um exacerbado número de desempregados, muitos pais de famílias veem a necessidade de um plano B para garantir a alimentação diária dos filhos. Sendo assim, o número de ambulantes nos transportes públicos vêm aumentando drasticamente. 


(Imagem: Focas na área)

De barras de chocolate a 10 metros de fio de carregador de celular, cada ambulante cria o seu próprio slogan, e usam da simpatia para efetuar as vendas. Às 6h da manhã, em cada estação, entram pelo menos 4 ambulantes, cada um com uma mercadoria diferente. Um grita amendoim e pipoca, o outro alicate de unhas e fone de ouvido, e lá no fim do vagão se observa um outro vendendo escovas de dentes - da marca oral b - e meias para crianças e adultos. 

Em uma viagem partindo da estação Barra Funda da CPTM a Presidente Altino, percebi que os seguranças das estações fazem vista grossa quanto a presença dos ambulantes. Já nos vagões do metrô, apesar do combate intenso à venda de mercadorias, alguns conseguem driblar a segurança e garantir alguns trocados.

Já o comércio em ônibus municipais, há um número muito grande de ambulantes em linhas da periferia. Na região da Avenida Paulista, pelo menos, não encontrei nenhum ambulante durante os 30 dias de pesquisa. 

''Eu estou há quase 1 ano procurando um trabalho na área da construção civil, mas está muito difícil'', relatou um ambulante que trabalha 15 horas por dia para garantir pelo menos R$ 80,00 com a venda de balas comestíveis da marca fini.


15 de abr de 2017

A cada enchente parte da esperança vai sendo destruída

Sheila de Castro da Silva, mãe de seis filhos e também é uma das vítimas da enchente e da corrupção da política brasileira. 


(Imagem: Carlos Irineu - Márcio, Wallaxe, Ronaldo, Sheila, Ana Raquel)


Na noite do dia 6 de abril  de 2017, às 23h, enquanto a água com lama entrava pelas madeiras do seu barraco, na comunidade da Caboré - extremo da zona leste, Sheila se preparava para enfrentar uma das maiores dificuldades de toda a sua vida. Os quatro filhos que vivem com ela em um espaço dividido em três cômodos não imaginavam o esforço que a mãe faria para salvar os documentos e suas vidas.

Com a água chegando na altura dos joelhos e com coração apertado, a mãe colocava seu filho Ronaldo de 8 meses, Wallaxe da Silva 9 e Ana Raquel 5 na cama de cima do beliche, enquanto Márcio Henrique de 13 anos a ajudava a salvar o que podia. 

Com uma renda de R$ 350,00 de pensão do filho mais velho, Márcio, e uma ajuda do programa social bolsa família R$ 300,00, a família tenta sobreviver. Quando os filhos querem uma bolacha, salgadinhos a mãe não pode comprar. Compra o arroz, feijão, leite e a farinha de trigo para fazer os bolinhos de chuva quando não tem moedas para o pão do café da manhã.  


(Imagem: Carlos Irineu - Sheila na entrada do barraco)

Sheila vive à beira do córrego Caboré, local que é  castigado pelas chuvas de verão de todos os anos. O estrago do último dia 6 de abril só não superou a enchente que cobriu maior parte das casas em 1997. Ou seja, há décadas, centenas de famílias vivem lutando para não perderem a vida, além de dormir e acordar todos os dias com o mau cheiro que invade os barracos, com ou sem chuva.   

No dia seguinte pós-destruição, foi o dia de voltar ao barraco, que agora está com a estrutura comprometida, e contabilizar os prejuízos de tudo aquilo que outrora havia conquistado através de doações. A geladeira é a mesma de antes, só que agora não mantém nem a água gelada. Os colchões estão em frente o barraco cheios de lama à espera do cata-bagulho da prefeitura regional de São Matheus. Roupas, lençóis e a dignidade de alguém que se sacrifica diariamente para sobreviver foram carregados pelas águas. 

(Imagem: Carlos Irineu - entrada da casa de Sheila)

Sem a ajuda dos ex-maridos, pois cada filho tem um pai, a mulher do sertão pernambucano além de lutar para não perder as crianças nas enxurradas vive apreensiva por criá-los numa comunidade onde o tráfico de drogas impera.

Sheila é só mais um vítima do descaso da política corrupta do Brasil. Ela sabe que este momento se repetirá no próximo ano. A cada chuva uma destruição. A cada enchente parte da esperança vai sendo destruída.

9 de abr de 2017

O preço que a periferia paga pela corrupção da política brasileira

Na noite de quinta-feira, dia 6 de abril de 2017, um dos fenômenos da natureza somado à corrupção da política brasileira devastou a vida de alguns cidadãos das comunidades Caboré e Jardim São João, bairros com altos índices de pobreza no extremo da zona leste, segundo uma pesquisa do IBGE que destaca o rendimento mensal de até R$ 911,68 por pessoa.


(Imagem: Associação São Francisco de Paulo)


A falta de investimento do governo paulista, na limpeza dos córregos e piscinões, fez dezenas de famílias vítimas de um sistema que mantém os olhos distantes desses bairros que precisam de uma atenção especial. 

O dinheiro do imposto pago mês a mês por todos esses que acordam cedo para sobreviverem, e que não por uma falta de sorte ou culpa das chuvas perderam não só os bens materiais, mas também a dignidade, está na lava-jato e nas tantas outras máfias de um governo que olha para o próprio umbigo.

''Foi uma noite de extrema tristeza. Enquanto tentava salvar os meus filhos e os documentos, eu pensava como seria a minha vida no dia seguinte'', relatou uma mãe de dois filhos, desempregada e sem perspectiva de vida.


(Imagem: Associação Francisco de Paulo)

Enquanto o governo corrupto e insólito viram as costas para aqueles que mantêm o pagamento dos seus salários e caixa-dois mensais, algumas associações e espaços beneficentes se prontificaram em ajudar essas famílias. A Associação São Vicente de Paulo, que não recebe ajuda governamental, acolheu todos os moradores prejudicados e, com a doação de roupas e alimentos, acendeu uma luz de esperança para as vítimas da corrupção da política brasileira.

8 de mar de 2017

Fernando Holiday deixa as suas funções como vereador para atacar jornalista

O vereador e coordenador nacional do MBL (Movimento Brasil Livre), Fernando Holiday, parece que perdeu o rumo de seu mandato de apenas três meses ou realmente não tem demandas e questões mais importantes para resolver, em seu gabinete, na Câmara Municipal de SP.

Ao invés de discutir as questões relacionadas à cidade de São Paulo, o jovem vereador faz uso do seu expediente, na Câmara, para gravar vídeos atacando o jornalista e proprietário do portal Catraca Livre Gilberto Dimenstein. 

De acordo com as publicações nas redes socias, Holiday afirma que o jornalista, que é proprietário de um galpão na Vila Madalena, região nobre da capital Paulista, estaria sendo beneficiado pelo programa ''Ruas Abertas'' da gestão Fernando Haddad, que tem o objetivo de fechar ruas aos finais de semana para que a população desfrute com sua família. ''Ele tem um boteco que é beneficiado pela quantidade de gente que vai ao local e, consequentemente, está faturando muito mais'', afirma o vereador.

Holiday disse, ainda, que Dimenstein faz duras críticas à gestão João Dória e que estaria com medo do prefeito reaver a necessidade de deixar a rua incluída no programa, o que desfavoreceria os lucros de seu estabelecimento.



(Imagem: Facebook - ''boteco'' do jornalista Gilberto Dimenstein)


Dimenstein, por meio de seu perfil no facebook, deixou claro que qualquer pessoa que provar que o espaço de 600 metros quadrados dedicado ao projeto ''Parque da Vila'', voltado à culinária, espaço com oficinas, gincanas para as crianças, arte e música, seja um boteco e sua fonte de renda o receberá como doação. 

O jornalista pediu apenas que Holiday se retratasse e se desculpasse pela calúnia. O mesmo diz não ter medo de responder um processo e que não se retrataria. 

A questão é uma só. Fernando Holiday é pago para tratar assuntos da cidade de São Paulo, não para cuidar dos lucros e benefícios de jornalista A ou B.

A cidade vai muito bem obrigado, vereador. Continue se preocupando com a vida alheia. Político tem que trabalhar. Se queres brilho, vá atuar na novela das nove. 

10 de fev de 2017

Intercambista de primeira viagem

Muitos brasileiros que sonham com o intercâmbio não imaginam que as dificuldades enfrentadas vão além do preparo pré-intercâmbio, que é quando você paga o curso, compra passagem, passa meses guardando dinheiro para levar ao país de destino. 

Com base nos 34 dias que vivi na República da Irlanda, em Dublin, vou relatar, de fato, como é a vida de um intercambista, como nós, brasileiros, somos vistos e tratados em outra nação. Quais as dificuldades e as limitações enfrentadas por todos aqueles que saem de sua zona de conforto para viver uma grande aventura?

Mas, além dos perrengues, posso afirmar que a experiência e os aprendizados, mesmo que negativos, são extremamente importantes para a nossa vida pessoal e profissional. Este relato se baseia em todas as histórias que vi e ouvi durante a minha estadia na ilha.


(Imagem: Carlos Irineu - O´Connell Street - Dublin)


Muitas agências de intercâmbio, as grandes responsáveis por vender esses sonhos, maquiam toda a realidade dos países afora. Claro que, ao escolhermos o nosso destino, buscamos conhecer ao máximo a cultura, a economia e os costumes do país. Mas, é óbvio, que uma pesquisa no google não nos leva à realidade. 

Conversando com alguns dos milhares de brasileiros que vivem, especificamente, na Irlanda, pude perceber que a grande parte chega com uma imagem construída do país perfeito, e na primeira semana mudam completamente o conceito do sonho que comprara antes de chegar. Claro que quem chega em qualquer lugar do mundo, não deve achar que tudo será as mil maravilhas. 

Um brasileiro chega para estudar 6 meses na Irlanda, porém, para isso, é preciso desembolsar e comprovar o valor de 3 mil euros para ter o direito de obter a documentação necessária para trabalhar e permanecer por até 8 meses como um bom cidadão. Sem colocar na ponta do lápis o valor gasto com curso, acomodação e alimentação. 

Bom, todos vão preparados (ou quase) e sabendo das normas do país, mas, mesmo assim, vivem no limite. Encontrei pessoas que vão com intuito de estudar inglês, mas a ambição por um trabalho que te paga em euro se torna tão importante que o cara acaba perdendo o foco de estudar e retorna ao Brasil com o mesmo nível de inglês.

Outros vivem no limite do limite. Aceitam trabalhos escravos, são humilhados e, por estarem em um país da Europa, acham a coisa mais natural do mundo. Muitos aceitam subemprego e subsalário, esses, que mal pagam seu aluguel.

Infelizmente, nós, brasileiros, somos vistos com outros olhos. Pude comprovar de perto. ''Where are you from?'' Pergunta o gringo com muita simpatia. I'm from Brazil - respondo com muita simpatia. Isso basta para que o tom da conversa mude, os olhares se estranham e você deve imaginar o que o cara pensou ao meu respeito. 

Não acredite em conto de fadas. Não acredite em agências que vendem o destino perfeito. O país tem uma segurança exemplar, uma economia estável, impostos que não servem para engolir o cidadão, mas não é perfeito. Vá com o coração aberto para viver cada momento. Vá preparado, sim, para se sentir discriminado. Mas não perca a essência brasileira. A essência boa. Afinal de contas, não vamos ser hipócritas, temos grandes problemas. 

Em breve, vou contextualizar toda essa experiência em um livro de autoajuda para todos aqueles que vão viver, estão vivendo ou viveram na Republic of Ireland.

See you after! Bye

28 de nov de 2016

Heliópolis, o bairro educador

A Cidade Nova Heliópolis se transforma a cada dia.

Na década de 70, ocupantes das favelas da Vila Prudente e Vergueiro são transferidos pela Prefeitura da capital para alojamentos provisórios no terreno do IAPAS (Instituto de Administração Financeira da Previdência Social). É a partir daí que se iniciara a construção de uma das maiores favelas do Brasil, ‘’a favela de Heliópolis’’.



(Imagem: Mootiro Maps)

A Cidade Nova Heliópolis tem, de acordo com dados de 2016 da Prefeitura Municipal de São Paulo, uma população estimada em 200 mil habitantes, 91% deles de origem nordestina. Com um milhão de metros quadrados, Heliópolis conta com 18.080 imóveis, sendo que 72% das famílias já possuem casas de alvenaria e infra-estrutura urbana, localizada na região do Sacomã, zona sudeste da cidade.


O Bairro Educador

Promover a cultura e levar a igualdade social para a periferia não é tarefa fácil. Para o coordenador do projeto cultura na periferia e ex-secretário de cultura do Rio de Janeiro, Marcus Faustini, a cultura da periferia é essencial para o desenvolvimento do Brasil. Diariamente, jovens e crianças são expostos a vulnerabilidade social, afirma.


Com a ideia de transformar Heliópolis em um bairro educador, onde todos tivessem acesso à cultura, educação, saúde, esporte, assistência social e direito à moradia, a UNAS (União de Núcleos, Associações dos Moradores) em parceria com agentes de diversos setores têm a missão de promover, desde os anos 80, a cidadania, melhoria na qualidade de vida e o desenvolvimento integral da sociedade.

Entre os parceiros da UNAS, destaca-se a escola municipal do ensino fundamental EMEF. Presidente Campos Salles. A fim de proporcionar uma educação com qualidade social, libertária e transformadora, a relação de ambos se intensificou com o objetivo de tornar a escola em um espaço democrático. Com o apoio dos pais e lideranças, a ideia era tornar este espaço de fácil acesso à comunidade.

O bairro educador conta, também, com uma rádio comunitária, sem fins lucrativos, criada e dirigida pela UNAS desde 1992. Além do Movimento Sol da Paz que agrega jovens, crianças e adultos numa caminhada que consiste levar paz para dentro das escolas, promovendo, então, encontros com diálogos e reflexões sobre as diferentes realidades.


A transformação

Com o objetivo de aproximar a comunidade e lideranças do bairro de Heliópolis aos projetos escolares, o ex-diretor da escola Pres. Campos Salles e atual diretor da 9° Diretoria Regional de Educação Ipiranga, Braz Rodrigues Nogueira, criou um plano estratégico de mobilização e transformação. Buscou apoio de professores e da Secretaria Municipal de Educação para, assim, aplicar o modelo da Escola da Ponte - que compreende que o percurso educativo de cada estudante supõe um conhecimento cada vez mais aprofundado de si próprio e um relacionamento solidário com os outros-.

Observando a realidade em que os alunos viviam, Nogueira presumia que a não consciência da comunidade de que a escola era para todos o tornava num espaço vulnerável. E que a decisão de derrubar os muros da escola Campos Salles aproximou os moradores e trouxe as construções que ocupam o entorno da escola, como o CÉU Heliópolis, uma ETEC, um FabLab e uma EMEI. ‘’Quando nós tiramos aquele muro de alvenaria, possibilitaram as novas construções. Não ter muro, foi exatamente o projeto da Presidente Campos Salles’’ diz Nogueira.

Hoje, a Campos Salles é dividida por salões de estudo. Com um modelo de ensino diferente. Não existe prova nem lições na lousa. Todo o ensino é através de projetos, e os alunos contam com três professores por salão, além dos notebooks que os auxiliam nas aulas.

17 de nov de 2016

Curitiba registra uma nova ocorrência de roubo a cada 15 minutos

Um levantamento feito pela SESP (Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária) de Curitiba, apontou que o número de roubos cresceu, na capital, em 129% desde 2007, quando as estatísticas apontavam 3.747 registros de roubo na capital. Entre janeiro e março de 2016, segundo o mesmo levantamento, o número de ocorrências chegou a 8.569.

Ainda de acordo com uma pesquisa realizada pela GfK, uma empresa de pesquisa de mercado, o Brasil está entre os cincos países mais preocupados com a segurança pessoal, com 64%.

Preocupados com o aumento acelerado de roubos somados à falta de segurança pública na capital, moradores se veem obrigados a contratar segurança patrimonial particular, além de instalar cercas elétricas e câmeras de seguranças. Para o engenheiro Henrique Fogarelli, é um gasto adicional. ''Além dos impostos pagos todos os meses, preciso gastar muito mais para manter a minha família em segurança'', diz o engenheiro.

Pensando em ajudar os moradores na prevenção de roubos e demais situações desagradáveis nos bairros, uma startup criou o aplicativo ViZin. A ferramenta é gratuita e, segundo o CEO Eduardo Vieira, tem o objetivo de unir as pessoas em prol da segurança. 


(Imagem: Vizin.com.br)


O aplicativo, que está disponível na versão Android e iOS, tem a função da troca de alertas de segurança entre os usuários, a fim de evitar situações de risco. Os vizinhos podem criar um grupo e espalhar os alertas de prevenção.

''É um ótimo aplicativo, só assim podemos ficar atentos às coisas que vem acontecendo. Um ajuda o outro'', diz o cobrador de estação tubo, Marcelo Cardozo.

A princípio, a plataforma tem o foco em Curitiba e região, porém está disponível para todo o Brasil. Hoje, são mais de 5.000 mil usuários cadastrados em 21 estados e mais de 150 cidades. 







7 de nov de 2016

São Paulo terá um déficit adicional de R$ 1 bilhão com o congelamento da tarifa de ônibus, em 2017.

O transporte público deve somar uma dívida que pode ultrapassar 3 bilhões com subsídios.

O prefeito-eleito, em São Paulo, João Dória, (58), durante a sua campanha eleitoral, afirmou que não reajustaria impostos da cidade, incluindo a proposta do congelamento na tarifa de ônibus para 2017, permanecendo o valor de R$ 3,80. Segundo técnicos da atual administração que estão elaborando o orçamento para o próximo ano, está previsto um déficit adicional de R$ 1 bilhão para os cofres da prefeitura.

Diante dos gastos com as gratuidades para estudantes de baixa renda, idosos, pessoas com deficiência e os descontos com integração, a  prefeitura precisa desembolsar subsídios para repassar às empresas de ônibus pelas tarifas não pagas. Com isso, dá-se o déficit que chegará a 3 bilhões em 2017.

Hoje, a cidade de São Paulo é contemplada por uma frota de 14.728 ônibus coletivos, sendo 8.813 estrutural (atingindo as principais ruas e avenidas da capital) e 5.915 locais (que circulam nos bairros mais afastados). São transportados cerca de 1.108.426.535 passageiros, segundo dados da SPTransportes, base agosto de 2016.

Para o engenheiro e economista Frederico Bussinger, em um dos seus artigos publicado pelo IDELT ( Instituto de Desenvolvimento, Logística, Transporte e Meio Ambiente), diz que o objetivo do futuro prefeito em congelar a tarifa seria para evitar possíveis protestos, além de precipitar  soluções estruturais. 

(Imagem: Carlos Irineu -Fred Bussinger com o mascote do projeto Repórter do Futuro)

Questionado sobre seu posicionamento referente à tarifa zero para toda a população, em São Paulo, Bussiger disse ser contra. ''Não acho que tem que ter tarifa zero, ter um transporte público de qualidade é muito caro, custa muito'', finaliza. 

25 de out de 2016

Vice-Presidente do Sindicato dos professores, Celso Napolitano, é o convidado do projeto Repórter do Futuro.

Militante na educação há 40 anos, o sindicalista e professor debateu temas importantes com os repórteres do futuro.


Celso Napolitano foi o convidado para um debate e uma coletiva de imprensa no último sábado, 22, no projeto Repórter do Futuro, organizado pela Escola do Parlamento na Câmara Municipal em parceria com a Oboré – Projetos Especiais em Comunicações e Artes.

(Imagem: Carlos Irineu – à esquerda, Celso Napolitano).

Durante o bate-papo, Napolitano e os repórteres do futuro discutiram temas relevantes no que tange à educação do país. Foram pautados desde o PIB (Produto Interno Bruto) – no valor de R$ 140 milhões/ano disponível para a educação no Brasil a programas sociais como o Fies e o ProUni.

Para Napolitano, os programas sociais voltados para a educação são um grande avanço para o desenvolvimento intelectual, porém sem planejamento. Pois, ainda de acordo com o professor, o que se pensa nem sempre se aplica.

O FIES, o maior programa de inclusão social, tem como principal objetivo financiar a faculdade, principalmente para a classe C. ‘’As faculdades abusaram deste programa. Superfaturavam os cursos e faziam programas de incentivo para alcançar o maior número de alunos, inclusive os que tinham condições para bancarem seu curso. Isso trouxe um gasto gigante para os cofres públicos que não suportou a demanda’’ - disse Napolitano.

Ainda de acordo com o professor, há um abandono nos estudos dos alunos que saem do ensino fundamental e vão para o ensino médio. ‘’É nesse período de transição que os alunos se veem obrigados a largar o estudo para ir trabalhar ou simplesmente porque o ensino não atendeu as suas necessidades’’.

Sobre os gastos na educação, Napolitano foi enfático em dizer que todas as constituições estaduais e municipais têm a obrigação de fornecer verba para a educação, porque cada aluno custa aproximadamente R$ 2.545 anualmente.



24 de out de 2016

Jovem empreendedor cria aplicativo para facilitar a contratação dos serviços de mão de obra especializada

O engenheiro da computação L’Hotellier comprou um site na Índia e o transformou em uma plataforma de grande utilidade.

(Arquivo Pessoal: Eduardo Orlando assinando contrato com o governo do Estado de São Paulo; à direita, Lu Alckmin)

Eduardo Orlando L'Hotellier, bacharel em engenharia da computação pelo Instituto Militar de Engenharia, é CEO da plataforma digital Getninjas, fundada em abril de 2011, que permite aos prestadores de serviços e aos consumidores agilidade na oferta e contratação de mão de obra especializada.

A plataforma criada por L’Hotellier é considerada uma startup que, segundo ABStartups – Associação Brasileira de Startups -, pode ser definida como empresa iniciante de tecnologia dentro do segmento de pequeno porte, capaz de facilitar o dia a dia dos consumidores, além de gerar emprego e renda para o nosso país.

Com apenas $700 dólares, o engenheiro da computação comprou um site na Índia cheio de problemas, com o nome de ‘’Cidade dos Bicos’’, e o transformou em uma plataforma onde prestadores de serviços pudessem divulgar o seu trabalho de forma rápida.

 O aplicativo Getninjas cadastra usuários que prestam serviços desde assistência técnica à moda e beleza. O consumidor pode solicitar, a partir do aplicativo, um orçamento diretamente ao profissional que esteja buscando. Logo, esses profissionais retornam via e-mail, Whatsapp e SMS.

Ivana Silva, 45, se tornou assinante da plataforma desde que perdeu o seu emprego como governanta em uma rede de hotéis. Cadastrou-se na categoria diarista e, após alguns meses, com a agenda lotada de clientes, resolveu contratar outras diaristas para atender a demanda. Após um ano exercendo a atividade como doméstica e microempreendedora, Silva deu a volta por cima e abriu uma lanchonete retrô na rua augusta. ‘’Um aplicativo que além de facilitar a vida das minhas clientes, na hora de buscar por uma profissional, me trouxe de volta o sorriso nos lábios’’, finaliza.

Seu Adalberto Rodrigues, 56, é pedreiro e, segundo ele, um novo homem. ‘’Sempre fiz os meus trabalhos como pedreiro na região onde moro. Esse aplicativo permitiu mostrar o meu trabalho para os ‘’bacanas’’ – referindo-se à elite paulistana-. Hoje, conto com a ajuda de dois auxiliares para executar esses serviços com qualidade’’, diz Rodrigues que é usuário da plataforma há dois meses.


Em novembro de 2015, o engenheiro assinou um convênio com o governo do estado de São Paulo com o objetivo de atender requisitos das secretarias envolvidas e órgãos participantes. Sendo assim, a plataforma do Getninjas permitirá aos alunos do programa de qualificação profissional que divulguem os seus serviços gratuitamente após a sua formação. Uma oportunidade de se incluir no mercado de trabalho com o uso de uma ferramenta que ajudará na promoção e na intermediação dos serviços prestados. 

1 de out de 2016

O desafio legislativo para a cidade de São Paulo

Nesta sexta-feira, 30, a FESP SP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo em parceria com o PNBE (Pensamento Nacional das Bases Empresariais) realizaram o ''Debate Eleições 2016 - Desafio Legislativo para a cidade de São Paulo''.

Os convidados que compuseram à mesa, Daniel Annenberg (PSDB), José Police Neto (PSD), Pedro Markun (REDE) e Soninha Francine (PPS), debateram temas importantes para o cidadão que vai eleger um dos representantes à vereança da megalópole São Paulo. 


(Imagem: Carlos Irineu - Sonia Francine, Daniel Annenberg, Police Neto e Pedro Markun)

Os candidatos debateram o orçamento anual de R$ 815.738.000,00 da Câmara Municipal de São Paulo, e como pretendem reduzir esses custos e moralização. Além, é claro, da oportunidade de dizer por qual motivo quer ser vereador da cidade de São Paulo.

Daniel Annenberg, candidato a vereador pelo PSDB, tem a proposta de renovar a Câmara Municipal. ''São poucos que se preocupam, de fato, com os interesses da sociedade. Vou trabalhar com a descentralização dos serviços . Nós podemos fazer uma cidade inteligente, e eu vou colaborar para isso'' - disse o candidato.

José Police Neto, vereador que tenta a reeleição pelo PSD, foi fatídico em sua fala: ''O legislativo não dá espaço para a população participar das questões de seus bairros. O projeto Câmara no seu bairro não é suficiente''.

Pedro Markun, que tenta uma das 55 cadeiras da Câmara, é um candidato cívico independente pela REDE. Considerado um hacker, Markun quer aproximar o cidadão à tecnologia. ''Enquanto vereador, vou lutar pelo voto nominal durante as sessões parlamentares'' (votação em que é possível identificar os votantes e seus respectivos votos).

Soninha Francine, candidata pelo PPS, contou sobre a sua frustração enquanto vereadora entre 2004 e 2008 pela sigla do Partido dos Trabalhadores (PT). ''Queria poder interferir nos rumos da cidade, mas, lá na Câmara, é impossível conseguirmos alguma coisa. Achei que nunca mais voltaria para o legislativo, mas agora quero voltar com muito mais poder''. 

É importante o eleitor saber que o seu candidato a vereador é um representante dos interesses da população perante o poder público, e devemos, de fato, estar atentos quanto às suas promessas de campanha.

Um candidato a vereador não pode prometer terminar obras, melhorar serviços de lixo, implantar escola de tempo integral, aumentar o número de vagas na rede de educação, criar centros de arte e cultura e, muito menos, reforçar o policiamento. 

Vote consciente. Escolha a melhor opção para o legislativo dos próximos quatro anos.

27 de set de 2016

Jornalista que viralizou na internet sobre o preconceito de trabalhar em um ateliê de doces deu a volta por cima

Beatriz Franco, 28, é jornalista e fluente em inglês e espanhol. Após quatro meses desempregada, a jovem comunicadora começou a trabalhar em um ateliê de doces.

Com vergonha da situação em que estava vivendo, Beatriz resolveu desabafar em sua rede social, a fim de se desprender de todo o preconceito que carregava por estar exercendo uma função inferior a de sua formação.

(Imagem: Facebook Beatriz Franco)

‘’Eu escrevi o texto justamente por estar com vergonha e por querer tirar isso de mim. Pensava que não era certo eu ter vergonha de estar trabalhando num lugar honesto, correto. Não é porque eu tinha mudado de área que eu era inferior ou teria de ter algum preconceito. Foi aí que eu vi que tinha e têm muita gente nessa mesma situação’’.

Após a repercussão de seu texto, Beatriz conta o que mudou em sua vida e quais os planos para o futuro.


‘’A minha vida mudou bastante, eu mudei, porque com toda essa situação eu acabei de acreditar em mim mesma. Eu brinco que eu saí do jornalismo e o jornalismo me trouxe de volta. Estou com o blog e palestrando’’.


Ouça a entrevista na íntegra.


Marco Manfredini discute o tema saúde no projeto repórter do futuro

O professor, doutor e pesquisador Marco Antonio Manfredini foi o convidado do último sábado, 24, para um bate-papo no módulo projeto Repórter do Futuro promovido pela Câmara Municipal de São Paulo em parceria com a Oboré (Projetos Especiais em Comunicações e Artes).


(Imagem: Carlos Irineu - Conferência de imprensa com o Prof° Marco Manfredini)



Durante a conferência e uma coletiva de imprensa, que durou por quase três horas, Manfredini e os repórteres do futuro discutiram o tema saúde, que, de acordo com uma pesquisa do Datafolha, aponta que 52% dos brasileiros avaliam a saúde do Brasil como ruim ou péssima.

Manfredini deixou claro que, apesar de possuir plano de saúde, conhece muito bem a situação da saúde brasileira e enalteceu, em alguns momentos, os serviços oferecidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). 



O SUS que não se vê, faz parte, segundo ele, dessas qualidades que o programa possui: O Brasil como referência em programas de imunização, acesso à antirretrovirais, sendo o 2° país do mundo com 95% de transplantes, fornecimento de remédios gratuitos, SAMU, programa Mais Médicos etc.

Indagado sobre a falta ou a péssima qualidade desses serviços nas periferias, Manfredini disse que uma das razões pela qual os médicos não querem ir às regiões distantes do centro expandido não se dá por questões salariais, mas, sim, pela falta de estrutura básica para melhor atender à população. 

Para Manfredini, ''O SUS nunca esteve tão ameaçado como está neste ano'', relacionando-se à fala do novo ministro da Saúde, do governo Michel Temer, Ricardo Barros (PP - PR) sobre a pretensão de revisar o tamanho do SUS - proposta que faz parte do documento ''Ponte para o futuro''-.

Com a crise atual no Brasil, cerca de 900 mil pessoas migraram da saúde privada para a saúde pública, sendo 76% dos brasileiros dependendo do Sistema Único de Saúde, enquanto 24% ainda possuem plano privado.



19 de set de 2016

Ermínia Maricato abre a roda de palestras no 9° módulo do Repórter do futuro: Descobrir São Paulo, Descobrir-se repórter

No último sábado, 17, a Escola do Parlamento em parceria com a Oboré (Projetos Especiais em Comunicações e Artes), receberam os 25 universitários de graduação em jornalismo, na sala Tiradentes, para o primeiro dia de curso do 9° módulo Repórter do futuro: Descobrir São Paulo, Descobrir-se repórter.

Neste primeiro encontro, os repórteres do futuro receberam a arquiteta e urbanista Ermínia Maricato para discutirem assuntos da Megacidade - termo definido para cidades com uma aglomeração urbana sediada por mais de dez milhões de habitantes-. Crescimento demográfico, pobreza, saneamento básico, poluição e mobilidade urbana, foram alguns dos temas debatidos durante o encontro.

(Imagem: Carlos Irineu - Coletiva de imprensa com Ermínia Maricato)


Durante seu discurso, Maricato destacou alguns pontos de extrema importância sobre a realidade da metrópole São Paulo. ''É na periferia, segundo dados estatísticos, que se concentram um maior conglomerado de crianças com idade de até os 14 anos. O CÉU - Centro de Educação Unificada - é uma política importante para que essas crianças não caiam na criminalidade, apesar de haver um genocídio da população negra nas periferias''.

Na questão da mobilidade urbana, ela diz que o exílio da periferia acaba quando o transporte público para. Uma referência àqueles que dependem desse serviço para se deslocarem ao trabalho, passeios noturnos etc., pois o transporte, lá na periferia, funciona até à meia-noite. ''O trasporte coletivo em São Paulo melhorou, mas há muito a ser feito'', finaliza.

Sobre uma das políticas do plano diretor, na qual tem em uma de suas propostas a isenção de impostos, como incentivo, para as empresas privadas se deslocarem para as áreas mais distantes, desafogando, assim, o centro da metrópole e dando ao cidadão mais qualidade vida, Maricato destacou que não é fácil esse deslocamento de empregos, mas que é uma boa iniciativa. Porém, é necessário um espaço de tempo maior para que tenha êxito.

Questionada sobre o seu posicionamento referente à Operação Lava-Jato, em relação ao comprometimento das construtoras com a cidade de São Paulo, a arquiteta foi sucinta em dizer que a operação é injusta, pois, da mesma forma que existe a escola sem partido, teria que existir o judiciário sem partido. - Referindo-se a uma investigação transparente. Sem favorecer nem prejudicar quem quer que seja -.

2 de ago de 2016

A evolução das comunidades

As comunidades mais carentes de São Paulo sofrem com a falta de serviços públicos essenciais. Asfalto, iluminação pública, escola, creche e transporte eram alguns dos problemas para os moradores do jardim Iguatemi - extremo leste de SP.

Sentindo na pele esse drama, dois amigos do bairro resolveram criar uma associação sem fins-lucrativos para atender as necessidades da comunidade.

Leandro Rodrigues e Reinaldo Borges estão trabalhando para que o mundo seja melhor daqui a 25 anos.


(Arquivo pessoal Associação Iguatemi)

Ouça a entrevista na íntegra: